quarta-feira, abril 23, 2008

FOI-SE MARCELO.VENHA JARDIM

Posta de parte a opção Marcelo, se se quiser ganhar as eleições legislativas de 2009 há, no leque das gradas figuras do PSD, um militante que, para além de Marcelo, é também capaz de, no terreno, o fazer com facilidade. Esse militante é Alberto João Jardim. Eu sei que a esquerda burguesa do nosso País e as elites instaladas do PSD não gostam do Presidente do Governo Regional da Madeira. Mas gostam os portugueses e a maioria dos militantes de base do Partido Social-democrata. Não acreditam? Perguntem-lhes, façam uma sondagem e vejam os resultados.

Jardim fez da Madeira uma espécie de Singapura da Europa e tem obra feita; é polémico quanto baste, não tem medo, é determinado, tem convicções, sabe lutar por causas, penetra com imensa facilidade no eleitorado anónimo, sabe o que quer e, se for eleito Presidente do PSD, terá certamente um projecto de mudança para Portugal. Experiência política não lhe falta.

Alberto João Jardim é um homem honesto, não se lhe conhecem cumplicidades ou ligações perigosas aos grandes barões da economia, é dos raros políticos que não enriqueceu com a política, não fez habilidades para obter rendimentos que não fossem os que provêm do exercício da sua própria actividade política, não inventou, como muitos outros, esquemas propiciadores de reformas que atentem contra a consciência colectiva dos Portugueses.

Gosto de pessoas como Alberto João Jardim; gosto de pessoas que não têm papas na língua para dizerem o que pensam, de pessoas que não temem as consequências daquilo que dizem, de pessoas que fazem das dificuldades uma oportunidade, de pessoas alegres que olham para o futuro com optimismo, de pessoas que lutam abnegadamente pelo povo, de homens que amem o seu País e que o sirvam acima de tudo.

Jardim não é dos que foge nas situações de “pântano”, não é dos que trai os eleitores que o elegeram a pretexto de uma qualquer posição de âmbito internacional. Jardim é um homem honrado, gosta da Madeira e ama os portugueses. Jardim é um homem de causas, passou a vida a lutar por elas, soube pô-las em prática na Região Autónoma da Madeira. É altura de também lutar por elas ao serviço do nosso País. Têm a palavra, para já os militantes do PSD, elegendo-o Presidente do Partido; em 2009 os portugueses, elegendo-o Primeiro-ministro de Portugal.

sábado, abril 19, 2008

QUEREM UM PRESIDENTE VENCEDOR? ESCOLHAM MARCELO


O Partido Social-democrata vive um momento particularmente difícil. Sem Presidente e sem liderança, sem ética, sem princípios, “sovietizado” na militância e funcionalizado nas estruturas, o PSD bateu no fundo. Atravessa, talvez, o período mais negro da sua história. Sem valores que o orientem, sem rumo que o encaminhe e sem liderança que o mobilize, muita gente, de dentro e de fora, se pergunta se este Partido serve hoje para alguma coisa, ou se não estará já no limiar de uma mais que provável extinção.

O Partido Social-democrata não morre. Sofre de doença grave, está mergulhado em crise profunda, mas não morre. A crise que o assola não é mais do que uma das crises por que passam os partidos de poder, sempre que vivam longos períodos de oposição. Já se puseram questões do mesmo género ao Partido Socialista quando o PSD governou Portugal, está a acontecer hoje, de novo, o mesmo ao Partido Social-democrata. Os Partidos de Governo são mesmo assim: fortes enquanto detêm o poder, ansiosamente enfraquecidos quando se encontram na oposição. A ausência prolongada dos corredores do poder gera sempre este tipo de crises; passam com o tempo, vão e vêem na relação directa do poder que se tem e do poder que se perdeu. É sempre assim em democracia, e ainda bem. As crises de oposição são como que crises regeneradoras dos próprios regimes democráticos, que se requerem consistentes e saudáveis. Em ditadura nunca há crises assim.

No cômputo dos partidos que existem em Portugal, o PSD é aquele que mais genuinamente reflecte a idiossincrasia dos portugueses. Nasceu português, não precisou de nenhuma muleta internacional para se afirmar, dispensou-se de padrinhos ideológicos para se expandir. O Partido Social-democrata cresceu, tornou-se adulto, ganhou eleições e governou Portugal. Teve crises, ainda está em crise, mas a liderança que aí vem pode tirar o PSD da crise. Assim queiram os seus militantes.

A eleição do próximo Presidente do PSD pode representar o início de um novo ciclo de poder. Pode, se o Presidente for alguém conhecido dos portugueses; pode, se o Presidente eleito for uma pessoa de bem, culta, honrada, com experiência de vida, madura, solidária; pode, se o novo Presidente for uma pessoa credível aos olhos dos portugueses, se não tiver telhados de vidro e se, claramente, demonstrar que não precisa da política para dela se servir ou enriquecer; pode, se o líder a eleger fizer do exercício da política um acto generoso de serviço público para com o País; pode, se tiver uma visão que mobilize os portugueses e um desígnio que engrandeça Portugal.

Sem desprimor por nenhum dos candidatos que decida apresentar-se ao acto eleitoral do próximo dia 24 de Maio, Marcelo Rebelo de Sousa é, na minha opinião, o que reúne melhores condições de ser o Presidente de que PSD precisa para o momento que atravessa. Com Marcelo é possível readquirir-se a credibilidade perdida e regenerar-se o partido por dentro; com Marcelo é possível ter-se uma liderança forte, credível, consistente, determinada. No actual contexto do País, em crise social e económica profunda, e com os índices de popularidade de Sócrates em baixa acelerada, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa é, praticamente, a única personalidade do Partido Social-democrata que tem condições de ir a votos e ganhar as Legislativas de 2009. Não vejo outros, por muito estimáveis que sejam. De que estão à espera os militantes do PSD? Não querem regressar ao poder em 2009?

quinta-feira, abril 10, 2008

O PRINCÍPIO DE PETER


Muitas vezes me tenho perguntado sobre se o actual Presidente do Partido Social-democrata reúne condições para ganhar as eleições legislativas de 2009. Quanto mais me pergunto mais dúvidas tenho e não há meio de me libertar definitivamente delas. Para ser sincero já não acredito muito na capacidade política de Meneses para, como líder do PSD, vencer as eleições do ano que vem e formar um Governo alternativo ao do Primeiro-ministro José Sócrates.

Transcorridos que foram alguns meses desde que foi directamente eleito pelas bases do PSD, o que fez Meneses de relevante até hoje? Que estratégica de Governo já apresentou aos portugueses para que comecem a surgir os primeiros sinais de uma viragem política para o acto eleitoral de 2009? Que visão tem para o País, quais as grandes linhas de governo por que pautará a acção governativa no caso de vir a ser Primeiro-ministro? Pensa governar Portugal com elites e as bases do PSD, ou apenas com as bases que o elegeram? Se com ambas, que novas elites independentes e do PSD estão disponíveis para, em conjunto, trabalharem no processo de mudança política do País? Estará Luís Filipe Meneses rodeado das pessoas mais indicadas? Em consciência sentir-se-á Meneses habilitado para o cargo Primeiro-ministro de Portugal? Estará a pessoa do Presidente do PSD de bem consigo mesmo, consciente de que a sua vida será, mais cedo ou mais tarde, rebuscada de alto a baixo, à semelhança do que tem acontecido com Sócrates e todas as figuras públicas do nosso País? Estará Filipe Meneses emocionalmente preparado para combates de carácter, do tipo daqueles que, sem êxito, tanto assolaram Francisco Sá Carneiro?

Filipe Meneses tem, inegavelmente, qualidades pessoais, é um homem culto, teve e exerceu uma profissão de evidente relevo social antes de se dedicar a tempo inteiro à actividade política, tem sido um homem determinado relativamente aos projectos a que dedicou boa parte da sua vida, venceu quase sempre as lutas em que se envolveu e tem, sobretudo, uma obra notável à frente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Filipe Meneses tem tudo isso e tem também uma assinalável experiência política como governante, como deputado, como dirigente partidário e como Presidente de uma das maiores autarquias de Portugal. Apesar de tudo isso, e a avaliar pelas sondagens que têm vindo a público, não há meio de Meneses convencer o País de que é melhor do que José Sócrates, e de que pode formar um Governo de qualidade superior ao Governo do actual Primeiro-ministro. Porquê? Terá já Filipe Meneses pensado nas razões que fazem com que os portugueses não tenham vindo a aderir à sua causa?

São muitas as causas que poderão estar na base dos baixos índices de popularidade de Filipe Meneses. O povo gosta, com efeito, de líderes consistentes, determinados, que se orientem, na política como na vida privada, por objectivos claros em cuja concretização todos acreditem. Ora Meneses não tem sabido ser um líder forte, a sua liderança tem vindo a ser uma liderança frágil de duas pessoas; o povo aprecia um líder que seja capaz de dinamizar multidões, decidido, com visão estratégica, com autoridade mas sem ser autoritário. Meneses não tem sabido ser suficientemente mobilizador, ainda não apresentou uma ideia que estimulasse o País, tem-se visto confrangedoramente perdido ao sabor dos acontecimentos, e inutilmente entretido com as quotas, os símbolos, as cores e as setas do seu Partido, de interesse nulo para um povo que anseia por coisas de uma dimensão diferente; o povo quer para Primeiro-ministro uma pessoa de indiscutível estatuto, coerente de princípios, sólida de carácter, impoluta de comportamento. Nesta matéria Meneses terá que, muito claramente, dizer aos portugueses o que tem sido a sua vida, se enriqueceu com o exercício da política, se é coerente entre o que diz e o que faz, se tem uma visão política global para o desenvolvimento do País, e qual. O povo precisa de saber, de uma vez por todas, se o candidato do PSD é uma espécie de segunda versão falhada de Sócrates ou de Santana Lopes, ou se é uma edição moderna de Francisco Sá Carneiro ou de Aníbal Cavaco Silva. Compete a Meneses dizê-lo.

Será que por causa de uma candidatura de êxito duvidoso a Primeiro-ministro de Portugal se vai perder para sempre um autarca de obra feita? Que dirão os munícipes de Vila Nova de Gaia?

terça-feira, abril 08, 2008

PONTO DE PARTIDA.PONTO DE CHEGADA


Gosto dos Estados Unidos da América. Não aprecio especialmente o actual Presidente mas sou um dos que muito admira o povo americano e, de um modo geral, a maioria dos seus políticos. Por muitos defeitos que por lá haja, por muito acentuadas que ali sejam as diferenças sociais, aquele imenso País é um País onde vale a pena viver. Quem for capaz de ser diferente, quem tiver sonhos, quem for competente para, por si só, vencer na vida, quem se sentir habilitado para construir o seu próprio futuro, encontrará nos Estados Unidos o local apropriado para a concretização dos projectos que idealizou. A capacidade criativa do povo americano, a sua organização, a facilidade com que cada cidadão é capaz de criar o seu próprio trabalho e daí partir para a construção de um imenso império empresarial, é algo que está intrinsecamente metido na raiz de um povo de que não vejo paralelo no mundo.

Nos Estados Unidos ninguém está, por sistema, à espera de que o Estado protector cuide de nós, nos arranje um emprego ou resolva os problemas individuais que a cada um urge resolver; nos Estados Unidos o Estado é que espera tudo do cidadão. País supremo das liberdades individuais, País modelo da forma como funciona a democracia, País de oportunidades para quem for capaz de as aproveitar ou construir, ali não se passa a vida a dizer mal de tudo, ali não há tempo para se ter inveja do vizinho que progride, ali só há tempo para que cada um procure construir o futuro por que anseia; ali ninguém perde tempo à espera que o destino lhe traga o conforto que deseja, ali a felicidade é um dever que compete a cada um procurar, ali o bem-estar social não é um direito que se reivindique gratuitamente ao Estado, ali o bem-estar de cada um conquista-se com o trabalho de cada dia, de todos os dias.

Gosto, como disse, dos Estados Unidos da América, do seu povo e da forma como constrói a sua vida e a vida de todos os americanos; aprecio especialmente o modo como este povo invulgar gosta do País e o defende na paz e na guerra, no êxito e na adversidade; admiro as suas liberdades individuais, a sua capacidade de iniciativa, a luta por uma vida melhor, a maneira como interpreta a democracia, a forma competitiva como enriquece, a forma como torna desenvolvido o País que é o seu e de que empenhadamente se orgulha.

Nos Estados Unidos já se é rico quando se chega à política, e a política não é o meio de se ser rico. Nos Estados Unidos o exercício de um cargo político é sempre um ponto de chegada, nunca, por sistema, um ponto de partida; ser-se político é, nos Estados Unidos, um tempo de nobre dedicação à causa pública, à causa de todos os americanos.

E em Portugal? Como é entendida no nosso País a política? Ao contrário dos Estados Unidos da América, em Portugal a política raramente é um ponto de chegada; aqui a política é instrumental, é quase sempre um ponto de partida, é, sobretudo, um modo de vida ao serviço de quem a exerce, é uma profissão como outra qualquer, é um meio habilidoso de depressa se ser notável e notado, é uma forma rápida de se ser rico, de se obter riqueza ou de, sem decoro, se conseguir, antes da idade da maioria dos portugueses, uma reforma dourada para todo o resto de vida. Em Portugal não há ética na política. Nos EUA há ética e há princípios.

domingo, março 23, 2008

SIMPLEX DE COMPLICAÇÃO E BUROCRACIA

“O Programa Simplex – Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa” é um programa desenhado para simplificar a vida dos cidadãos e das empresas. Tem como objectivo melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e as condições de laboração das empresas e ajudar a promover o desenvolvimento e o crescimento económico do País, reduzindo a carga burocrática imposta aos utentes dos serviços públicos”. O texto que acabo de citar foi retirado do portal que o Governo pôs à disposição dos portugueses no âmbito do tão apregoado programa SIMPLEX.

A “ADSE – Direcção-Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública” é, por sua vez, um dos muitos serviços públicos que, em conformidade com aquele programa, já deveria ter sido objecto da sua intervenção. Não sei se foi ou não foi. O que sei é que a ADSE em dois casos concretos, de grande simplicidade, não funcionou bem, foi lenta, ostracizou direitos e esteve-se absolutamente nas tintas para com um dos utentes que, pela primeira vez em trinta e seis anos de contribuições atempadamente pagas, precisou dos seus serviços. Em dois casos praticamente iguais a ADSE teve um comportamento miserável, tal foi a desconsideração que patenteou para com o utente-funcionário que se lhe dirigiu.

Os casos podem resumir-se na carta, tipo chapa cinco, que aquela Direcção-Geral, há uma semana, acabou de dirigir ao funcionário-requerente. Eis o texto: “Junto devolvo a V. Ex.ª o (s) documento (s) apresentado (s) em virtude de o processamento e a atribuição da comparticipação nos mesmos ser da responsabilidade do Organismo Autónomo/Autarquia/Região Autónoma a que a inscrição de V. Ex.ª se encontra associada e onde os documentos que ora se devolvem deverão ser entregues para esse efeito”.

Os documentos hospitalares que acompanhavam a carta, cujo assunto dizia respeito ao reembolso legal das despesas de uma intervenção cirúrgica numa clínica privada, demoraram quase três meses (!!!) a ser devolvidos ao interessado. Espantosamente documentos de despesa de uma outra intervenção cirúrgica ocorrida no mês de Outubro de 2007 ainda nem sequer foram devolvidos (!!!). O beneficiário pagou tudo do seu bolso e não bufou; o reembolso legal das despesas virá quando tiver que vir, quando os burocratas socialistas da ADSE assim o entenderem. Que vergonha, que irresponsabilidade a destes senhores!!!

Os casos que acabo de relatar são reais e ocorreram dentro de um Organismo do Estado que o Governo presume funcionar bem. A ADSE já foi um modelo de bom funcionamento no passado; mas, a avaliar pela experiência descrita, não funciona agora bem. Maior do que a indignação do utente é a indiferença dos responsáveis da ADSE que subscreveram a carta referida. A propaganda que, repetidamente, tem sido feita à volta do SIMPLEX não passa disso mesmo: de propaganda para eleitor desprevenido engolir. O que aconteceu com este cidadão na ADSE vai, infelizmente, acontecendo pelo País fora em quase todos os Organismos do Estado. A carga burocrática que impende sobre os portugueses é hoje mais pesada e a qualidade de vida dos cidadãos está bem pior do que era antes de Sócrates. Isto não obstante os objectivos do SIMPLEX; isto apesar da propaganda obscena do Primeiro-ministro e do seu Governo…

quarta-feira, março 19, 2008


BALANÇO DISSIMULADO

Estive atento às declarações públicas do Primeiro-ministro e de outros membros do seu Governo acerca do balanço de três anos de actividade governativa. Estive atento e confesso que fiquei indignado. Elogio em causa própria é vitupério. Quem ouviu José Sócrates a perorar sobre o que passou no País de 2005 para cá, se não soubesse o que se passa em Portugal, ficaria com a ideia errada de que tudo tem estado no melhor dos mundos, e não está. “O Governo tem vindo a governar tão bem que nada se justifica falar do que está mal”, dizia, soberbo, o Ministro Silva Pereira.

Este Primeiro-ministro, habitualmente alheado dos problemas reais, não sabe o que se passa com a maioria dos portugueses. Sabe de alguns que docilmente privilegia, mas ignora as dificuldades com que se depara a maioria. Que o digam os seiscentos mil desempregados, os dois milhões de pobres, os reformados do regime geral da segurança social, os aposentados da Caixa Geral de Aposentações, os doentes, os idosos, os licenciados à procura do primeiro emprego, os militares, os professores, os funcionários públicos, os juízes, os magistrados, os médicos, os enfermeiros, os portugueses da classe média. Não há grupo profissional da sociedade portuguesa que esteja satisfeita com a política deste Governo. Todos detestam o Primeiro-ministro que têm; consideram-no fingido, banal, vaidoso, arrogante, mentiroso, altivo para com os fracos, afectuoso para com os poderosos.

Apesar de tudo há portugueses que o admiram, o elogiam e o desejam como Primeiro-ministro por muito mais tempo, se possível por mais um mandato de quatro anos. São os portugueses que dominam os grandes grupos económicos e os portugueses que fazem parte de um pequeno mundo de privilegiados. Esta gente nunca esteve, de facto, tão bem na vida como tem vindo a estar com este Primeiro-ministro e os Ministros que Sócrates amansou. Esta gente está bem e tem a garantia de que vai continuar a estar bem. Que o digam os gestores dos Institutos e Empresas de capitais públicos; que o digam o actual Governador, administradores, dirigentes e ex-gestores reformados do Banco de Portugal, do Grupo Caixa Geral de Depósitos, do Grupo PT, da RTP, da CP, da REFER, da EDP, da PT, das ÁGUAS DE PORTUGAL, da TAP… Esta gente sim, esta gente gosta deste Governo, admira e defende este modelo de Primeiro-ministro.

Mas atenção que o País não é aquela minoria de privilegiados. O País real é o outro, o que está pobre, desempregado, desiludido, indignado; o que silenciosamente sofre, o que já não tem dinheiro para comer, o que tem medo de sair à rua, o que receia dizer publicamente o que pensa, o que, resignado, já não vislumbra grandes perspectivas de vida à sua frente.

Perante tudo isto o que fazem os partidos da oposição? O que é que o PSD tem a dizer aos portugueses? Que políticas alternativas apresenta, para que surjam sinais claros de que se prefere Luís Filipe Meneses para Primeiro-ministro de Portugal? De que está à espera, Senhor Presidente do Partido Social-democrata? Deixe-se de quotas e do símbolo do PSD, e apresente-se com ideias novas e uma estratégia de governo que convença, em definitivo, os portugueses. Olhe que o País ainda não assimilou que o senhor pode vir a ser o seu Primeiro-ministro…!!! Começa a ser tempo de o convencer, amanhã já é tarde…

quinta-feira, março 06, 2008

CAUSAS DE UMA CRISE ANUNCIADA

Desde que Aníbal Cavaco Silva se afastou da sua liderança, nunca mais o Partido Social-democrata foi o mesmo. Pior do que ficar órfão de um Presidente carismático que não soube preparar os militantes para a sua sucessão, o PSD viu-se, até hoje, sem uma ideia estratégica para o País, sem equipas capazes de o revitalizar e sem líderes competentes para o levarem novamente ao Governo de Portugal. Os Governos de Durão Barroso e Santana Lopes não passaram de um episódio a dois actos em que um e outro mais trataram da defesa de interesses e vaidades pessoais do que da resolução dos problemas do País. O PSD mergulhou numa profunda crise de identidade de que nunca mais conseguiu libertar-se até aos dias de hoje. E não há sinais de que o venha a conseguir a curto prazo. Para mal dos seus pecados e para mal do nosso País.


A bem dizer, a crise do PSD começa, remotamente, no momento em que Cavaco ganha as eleições legislativas de 1985 e passa, durante dez anos, a ser o Primeiro-ministro de Portugal. Preocupado apenas com o Governo, o País e, mais tarde, a Presidência da União Europeia, Cavaco Silva esqueceu injustamente o Partido que o tinha catapultado para o poder. Acho até que, em muitos casos, o ostracizou de uma forma inadmissível.

Com o Professor Aníbal Cavaco Silva nas funções de Primeiro-ministro o PSD foi ficando politicamente paralisado, atrofiou, tornou-se acrítico, deixou de pensar, afastou-se da análise política sistemática, e, sem estratégia, ficou, ao Deus dará, entregue ao cuidado de militantes que apenas tinham como objectivo principal a ocupação, a todo o custo, de tudo o que fossem lugares ou benesses oriundas da órbita administrativa e empresarial do Estado.

Com Cavaco na presidência, o Partido Social-democrata deixa praticamente de existir como instrumento dinâmico de intervenção política. Cavaco secou literalmente o PSD. O resultado é hoje o que se vê: ex-ministros dos seus Governos, sem excepção, bem colocados na vida, mas uma profunda desilusão no que toca à capacidade de auto-revitalização do Partido que também o promoveu. O PSD tem sido, desde que este carismático Presidente se afastou, um preocupante vazio de ideias, uma coutada de caciques que se vão protegendo uns aos outros na perpetuação em cargos para que, no contexto da Assembleia da República e das Autarquias locais, ainda conseguiram ser eleitos.

A crise do PSD é, afinal, uma das faces visíveis da própria crise do nosso País. Quanto mais profunda for a crise do Partido Social-democrata mais profunda e longa será também a crise de identidade de Portugal. Que nenhum português duvide disso.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

UM SERVIÇO REDUNDANTE

A RTP tem andado, de novo, nas bocas do mundo por causa do serviço público de televisão. Os políticos não se entendem em relação a esta empresa pública, defendendo uns que se deve manter tal qual está, financeiramente dependente do Orçamento do Estado e das receitas de uma publicidade com limites; defendendo outros que, sem receitas de publicidade, apenas deveria depender dos subsídios do Estado.

A RTP já esteve na situação de ser detentora exclusiva de todo o mercado de publicidade e com indemnizações compensatórias; já teve a experiência de ter de repartir, em concorrência, a totalidade do bolo publicitário com a SIC e a TVI, mas continuando ainda a ter aquelas compensações públicas; e conhece a actual situação de, financiada pelo Estado, apenas poder fazer publicidade paga em certas horas do dia.
A situação existente em matéria de publicidade foi, de resto, estabelecido no tempo do Governo de Durão Barroso e mantido pelo actual Governo. Trata-se duma situação mista, mas em que as receitas de publicidade cobradas se destinavam apenas ao pagamento do serviço da dívida que foi preparado no tempo do Primeiro-ministro Durão Barroso.

A RTP teve o seu papel, importante e absolutamente indispensável, durante o tempo em que esteve sozinha no mundo do audiovisual televisivo. Foi, durante anos, o único operador de televisão em Portugal, desempenhou bem o seu papel, embora não se livrando da acusação de sempre ter estado ao serviço do Estado Novo e da ditadura numa primeira fase, e dos Governos do PREC e da democracia numa segunda. A RTP foi, no percurso da sua história, uma referência do nosso País e foi mesmo a escola prática dos operadores privados de televisão que, entretanto, se criaram em Portugal. As grandes referências jornalísticas destes dois operadores privados saíram, afinal, dos próprios quadros da televisão pública. Como estação do Estado, a RTP cumpriu o seu papel, antes e depois do aparecimento da SIC e da TVI.

Sou um dos portugueses que pensa que a sua missão se esgotou. O que a RTP faz, é hoje feito, sem nenhum custo para o contribuinte e com igual ou superior qualidade, por aqueles operadores privados, inclusive o famigerado serviço público de televisão. A RTP, suportada financeiramente pelo Estado, já não tem justificação. É um fardo para os portugueses que a vão aguentando com impostos, taxas e "impostos de taxas", e não passa, em última instância, dum instrumento de propaganda dos Governos, deste, dos que já passaram e dos que ainda hão-de vir.

Num momento em que tanto se fala de crise orçamental, em que tanto se fala na necessidade de se proceder ao corte de despesas supérfluas, em que tanto se fala na necessidade de se extinguir, fundir e reestruturar serviços, institutos e empresas do Estado, a RTP poderá ser um caso a considerar. Como Sociedade Anónima que já é, por que não proceder, por concurso público, à alienação do seu capital? De que têm medo os partidos e os políticos? Não será mais importante para o cidadão que paga ter um serviço de urgência hospitalar de qualidade do que continuar a manter aquele sorvedoiro de dinheiros públicos?

terça-feira, fevereiro 26, 2008


O RICOCHETE DE UMA DERROTA EVITÁVEL


Se há em Portugal pessoa com currículo adequado ao exercício, a tempo inteiro, de funções políticas, essa pessoa é o Dr.Luís Marques Mendes. Com prejuízo da sua própria actividade académica na Universidade de Coimbra onde, por causa disso, teve de frequentar o Curso de Direito como aluno voluntário, Luís Marques Mendes desde muito jovem viu o seu percurso de vida traçado ao lado e em ligação diária com altas figuras da política portuguesa. A política passou a ser, por convicção, a sua escolha profissional.

Se no ambiente familiar não lhe eram, desde logo, alheias as convicções políticas do seu Pai António Marques Mendes, foi, todavia, do contacto com outras personalidades importantes da sociedade que este jovem cidadão de Braga mais bebeu para aquela que foi a sua própria formação, personalidade e estrutura de pensamento político. Homens como Fernando Alberto Ribeiro da Silva, Eurico de Melo, Fernando Nogueira e Aníbal Cavaco Silva estão, de facto, na génese do que Luís Marques Mendes foi como político relevante da sociedade política portuguesa. No percurso da sua longa carreira, só não foi Primeiro-ministro e Presidente da República. Se para o exercício deste último cargo era ainda demasiado jovem, Marques Mendes só não chegou a Primeiro-ministro por pouco, e por culpa própria.

O Dr. Luís Marque Mendes exerceu praticamente todos os cargos de natureza político-partidária. Por mérito pessoal e por se lhe reconhecerem qualidades adequadas ao exercício de cada cargo, Luís Marque Mendes foi, no PSD e na política em geral, praticamente tudo. Foi, por convite, secretário de Eurico de Melo no Governo Civil de Braga; foi membro eleito da Comissão Política Distrital do PSD de Braga, onde conviveu, durante anos, com o seu Presidente, Fernando Alberto Ribeiro da Silva; foi candidato derrotado a Presidente da Câmara de Fafe; foi vereador autárquico e membro de Assembleias Municipais; foi deputado na Assembleia da República e líder do Grupo Parlamentar do PSD; foi Secretário de Estado e foi Ministro dos Governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso; foi membro dos Órgãos Nacionais do PSD; foi, finalmente, Presidente da Comissão Política Nacional do Partido Social-democrata.

Como é que um homem com um currículo assim não conseguiu vingar como Presidente do PSD e, a meio do mandato, é derrotado nas primeiras eleições directas do Partido? Como é que um homem que poderia ter sido Primeiro-ministro de Portugal deixou de poder sê-lo a partir do momento em que, afastado do cargo de Presidente do PSD, se viu naturalmente impedido de combater José Sócrates nas Eleições Legislativas de 2009, por que tanto lutou? Marques Mendes tinha, como se disse, experiência política e conhecia o Partido e o País. Apesar disso perdeu. Perdeu por circunstância alheias e por culpa própria.

Por circunstância alheias por, desde logo, estar na oposição a um Governo e a um Primeiro-ministro de maioria absoluta ainda em estado de graça; por turbulência interna do seu próprio Partido e por actos hostis de algumas das suas figuras mais proeminentes; por uma comunicação social quase sempre favorável a Governos de esquerda; pelo abuso indecente dos bonecos da contra-informação.

Mas Marques Mendes perdeu também por razões só imputáveis a si próprio. Ao contrário de José Sócrates, nunca conseguiu que a sua imagem passasse junto da população portuguesa; tinha uma ideia para o País, tinha convicções, defendia princípios, reclamava valores, mas, sistematicamente, tudo caía em saco roto. Os princípios que defendia viraram-se, muitas vezes, contra si próprio. Isso foi especialmente notório no processo eleitoral de algumas autarquias. Marques Mendes perde porque, intrometendo-se insensatamente, na embrulhada de Lisboa, provocou a queda da sua Câmara social-democrata e a eleição de uma nova Câmara de cariz socialista. Perdeu porque provocou eleições directas para um novo Presidente do PSD, delas saindo claramente derrotado.

Mas Marques Mendes também perdeu por outras razões, da sua inteira responsabilidade. Perdeu porque escolheu, para o acompanhar, uma equipa política globalmente fraca, subserviente, acrítica, sem capacidade efectiva de intervenção junto dos portugueses. Perdeu porque meteu na equipa quem não devia, deixando ficar de fora quem devia estar dentro. Perdeu porque não soube rodear-se das pessoas exactas para a missão correcta. Perdeu porque nunca gostou de estar rodeado de pessoas que pensassem diferente do que ele próprio pensava.Marques Mendes perdeu, porque glorificou inaptos, ostracizou militantes capazes, perseguiu elites críticas do seu partido; perdeu porque prometia muito a muita gente simples que o demandava e raramente cumpria aquilo que lhes tinha prometido.

Luís Marques Mendes tinha tudo para ganhar. Perdeu sobretudo por culpa própria; perdeu pelo chamado efeito de ricochete. Foi pena.

terça-feira, fevereiro 19, 2008


UMA QUESTÃO DE CARÁCTER

Por muito que queira ser simpático para com o Primeiro-ministro José Sócrates confesso que não consigo. A sua figura, quando a vejo, torna-se-me irritante. Foi o que, uma vez mais, aconteceu esta noite com a entrevista que concedeu aos jornalistas da SIC. Para mim, como para uma boa parte dos portugueses com quem vou falando na lufa-lufa do seu dia a dia, este homem já só cria repulsa a quem o vê.

José Sócrates chegou a Primeiro-ministro por um bambúrrio da sorte. Culturalmente mal preparado e intelectualmente medíocre, só chegou ao poder por abandono de Durão Barroso, por incompetência de Santana Lopes e por um conjunto de promessas manhosas com que se apresentou ao eleitorado que o haveria de eleger. O povo português, na subconsciência da sua “ingénua sabedoria”, desiludido com a traição de Barroso, indignado com a incapacidade de Santana e atraído pela fantasia de um conjunto de promessas eleitorais que poderiam garantir-lhe um nível de vida de superior qualidade, decidiu dar uma maioria absoluta ao Partido Socialista e escolher o seu Secretário-geral para Primeiro-ministro de Portugal. Traído por uns e iludido por outros, o povo português quis, com efeito, que este esquisito bacharel de engenharia fosse o Primeiro-ministro de Portugal.

Se, no acto da investidura, José Sócrates ainda criou expectativas, depressa tudo se foi desvanecendo. Pelo que já produziu na esfera política, mas, sobretudo, por aquilo que se vai conhecendo da sua vida particular, académica e profissional, há neste homem uma questão insanável de carácter. De mau carácter.

O percurso de vida de Sócrates, à medida que vai sendo conhecido, é um manancial inesgotável de coisas e casos complicados. Uma pessoa que mente para ganhar eleições; que subscreve, como seus, projectos de engenharia que se sabe serem de outros; que usa de artimanhas para a obtenção de uma licenciatura universitária; que, como deputado, opta pelo regime de exclusividade e continua a ter rendimentos de outra actividade; que persegue quem dele discorda; que se amedronta perante os poderosos e se arroga covardemente perante os fracos…; um homem assim, manhoso, incoerente, mentiroso, com comportamentos deste jaez, não é um homem que se recomende para o exercício do alto cargo de Primeiro-ministro de Portugal. É-o pelas razões que se conhecem, mas não vai ficar na história democrática do nosso País, na esteira de um Francisco Sá Carneiro, de um Mário Soares ou de um Aníbal Cavaco Silva.

Por muito que isso lhe doa, há em José Sócrates Pinto de Sousa uma questão básica de carácter, de mau carácter. Por isso muitos o abominam. Como eu.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

O MENINO DE RENNES

O Ministro da Saúde que acaba de ser demitido por José Sócrates é um dos seis meninos de Rennes. O que foram estes meninos? Foram 6 jovens licenciados em direito, matemática e economia que, na década de sessenta do século vinte, tiveram o privilégio de, por conta do contribuinte português, tirar um Curso de Administração Hospitalar na ÉCOLE NATIONALE DE SANTÉ PUBLIQUE, da cidade francesa de Rennes. É praticamente com eles que se começa em Portugal a falar, pela primeira vez, dos Administradores Hospitalares. Sucederam, na direcção dos hospitais, à figura já gasta do então provedor hospitalar. Se estes Administradores grassam por aí hoje aos magotes, em muitos casos acotovelando-se inutilmente pelos gabinetes dos serviços de saúde, na década de sessenta do século passado faltavam de todo. Quem mandava nos hospitais era, como disse, a medieval figura do senhor provedor.

Sob a batuta do Professor Coriolano Ferreira estavam, à data, a operar-se profundas transformações no âmbito dos serviços de saúde e, por via disso, impunha-se dar formação específica, no domínio da gestão hospitalar, a um primeiro punhado de jovens que fossem capazes de garantir que os hospitais se começassem a gerir por modelos de organização diferentes, muito mais próximos da organização empresarial privada. Como em Portugal ainda não havia escolas universitárias orientadas para a formação daqueles profissionais de saúde, a solução esteve em Rennes e na sua Escola Superior de Saúde. Coriolano, conhecendo esta Escola e sabendo da sua qualidade, escolheu para a frequentar seis jovens licenciados da sua confiança pessoal. Assim nasceram os meninos de Rennes. António Correia de Campos era um deles. De comportamento rebelde e aluno de mediana classificação, mas já detentor do diploma de Administrador Hospitalar pela ÉCOLE NATIONALE DE SANTÉ PUBLIQUE de Rennes, o jovem Correia de Campos regressa, contente, a Portugal de canudo na mão. Um canudo que obteve em França à custa do Orçamento do Estado.

Pós-graduado, como todos os outros, para o desempenho de uma actividade operacional num dos grandes hospitais portugueses, Correia de Campos nunca chegou, na prática, a gerir nenhum deles, ao contrário do que aconteceu com a maioria dos colegas que se formaram na mesma escola. Delfim predilecto de Coriolano Ferreira e sempre muito protegido por ele, Correia de Campos nunca foi para o terreno, nunca dirigiu um Hospital, nunca precisou de tomar decisões urgentes nas situações difíceis de vida e de morte de muitos dos seus concidadãos. Por convicção ou por comodismo, Campos praticamente nunca saiu da então criada ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA, ali se mantendo até aos dias de hoje. Consultor esporádico do Banco Mundial e da Fundação Luso-americana (dizem que, como prémio de ter sido Ministro, vai ser o próximo Presidente desta Fundação…!!!), Correia de Campos foi estando pela sua Escola, aqui dando aulas, aqui formando novos Administradores Hospitalares, aqui fazendo investigação, aqui escrevendo e editando livros, aqui obtendo o título de Professor Catedrático na disciplina de Economia da Saúde.

Penso que António Correia de Campos não foi um bom Ministro da Saúde. Se o fosse não teria sido tão globalmente contestado e, sobretudo, não teria sido demitido. Foi-o sem glória e, ao contrário de outros ministros da Saúde, não vai deixar obra que o dignifique. Correia de Campos nunca passou dum teórico sem experiência prática; sabe de saúde mas raramente conseguiu demonstrar ter uma visão estratégica para um novo modelo de organização que todos os portugueses conhecessem, compreendessem e aceitassem. Inseguro, de pensamento muitas vezes contraditório, irritantemente auto-convencido, arrogante quanto baste, nunca foi capaz de se explicar bem e de dizer, com clareza, aos portugueses o que estava a fazer e o que queria fazer.

Correia de Campos falhou rotundamente. Falhou perante os profissionais de saúde, que maltratou; perante o Primeiro-ministro, que desiludiu; perante os portugueses, que hostilizou. Por isso foi contestado, por isso foi demitido, por isso não ficará na história como desejava.

domingo, janeiro 27, 2008

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, 2 – JESUALDO HELTON FERREIRA, 0


Se há um jogo de futebol em que o resultado final deveria ser favorável à equipa que perdeu, esse resultado foi o do Sporting Clube de Portugal-Futebol Clube do Porto desta noite. A vitória de 2-0 com que a equipa de Lisboa brindou a equipa azul e branca é absolutamente enganadora. Pelo domínio demonstrado ao longo de todo o jogo, pela posse de bola e pelas oportunidades de golo não concretizadas, a haver um vencedor esse vencedor só poderia ser o Futebol Clube do Porto. E claramente. Não me lembro de ter assistido a um jogo de futebol em que o domínio esmagador de uma equipa é avassaladoramente esfrangalhado por um inadequado resultado final de dois a zero. É assim o futebol, é assim a sua magia. O que fica para a história é o resultado; e quem ganhou foi o Sporting Clube de Portugal. Não lhe valerá de muito face ao objectivo de ser campeão nacional de 2007/2008, mas ganhou o jogo. A História di-lo-á para sempre.

Mas uma vez mais Jesualdo Ferreira falhou na estratégia que delineou para este jogo. Que me desculpe mas falhou outra vez. É certo que ele não tem culpa do monumental frango do guarda-redes Helton. Mas pela maneira como armou a equipa notou-se, logo de início, que Jesualdo Ferreira ia para Alvalade jogar a medo. Em vez de ir para lá de peito feito, tal como fez no Estádio da Luz contra o Benfica em que, por isso, ganhou por um zero, Jesualdo teve outra vez medo do Sporting. Abandonou o habitual modelo ofensivo de jogo e trocou-o por um sistema claramente mais defensivo. Sempre que no passado deixou de jogar em 4-3-3 e passou a jogar num sistema de 4-4-2, o FCP perdeu. Foi assim em 2007 com o Chelsea e o Liverpool na Liga dos Campeões Europeus, foi assim contra o Sporting esta noite e na final da Taça Cândido de Oliveira. Em todos estes jogos mudou o modelo de jogo, em todos eles Jesualdo perdeu.

Custa-me muito, por outro lado, que a quinze minutos do fim Jesualdo se tenha permitido dispensar do jogo Ricardo Quaresma. Por muito mal que jogue, jogadores como este não devem ser substituídos. É que de repente resolvem um jogo. Quaresma já resolveu muitos no Futebol Clube do Porto. Pelé, Eusébio, Maradona, Luís Figo e Cristiano Ronaldo resolveram outros nas equipas em que jogaram ou jogam. Artistas daquela categoria nunca se dispensam nem se substituem a meio dum jogo que se quer ganhar. O povo que ama o espectáculo exige-os sempre em campo. Jesualdo ao abdicar de Quaresma a quinze minutos do fim, ficou ainda mais longe de poder dar a volta a um resultado que lhe era desfavorável.

Professor Jesualdo Ferreira. O Senhor perdeu um jogo que deveria ter ganho mas ainda não perdeu objectivamente nada; pode ganhar tudo nos torneios em que o FCP ainda está envolvido, mas também pode perdê-los a todos. Para os ganhar deixe-se de medos, vá para os jogos de peito feito como fez no Estádio da Luz e verá que estará sempre mais perto da vitória do que da derrota. A derrota desta noite, ainda que imerecida, também começou por ser psicologicamente antecipada pela estratégia defensiva que erradamente adoptou para o jogo. Porquê Marek Cech numa linha média de quatro jogadores em vez de um Adriano numa linha avançada de três jogadores ofensivos que tanto êxito tinha tido uns dias antes contra o Sporting Clube de Braga? Valha-nos Deus, Senhor Professor…

sexta-feira, janeiro 11, 2008

GERAÇÃO SACRIFICADA

O Manuel Bernardo é um hoje dos muitos aposentados da função pública, exactamente um daqueles que muito irrita a dupla José Sousa / Fernando Santos. É, como muitos outros, uma espécie de “embrulho humano” que aquela dupla política considera inútil no contexto da sociedade portuguesa, face ao crime de, depois de uma longa vida de trabalho duro ao serviço do País, ter tido direito, para o resto da vida, a uma pensão superior a dois mil e quinhentos euros mensais…!!!

Nascido em meados do século vinte, filho de gente simples de uma das aldeias rurais do norte de Portugal, o Manuel Bernardo desde cedo se apercebeu das dificuldades da vida. É certo que nunca passou fome, mas quase sempre viveu com dificuldades, raramente teve os brinquedos que outros meninos da sua idade, ao tempo, já conseguiam ter. Ao contrário de José S. Pinto de Sousa e de uma maioria chique dos políticos que hoje governam Portugal e que não sabem como se desenvolve um feijão ou se forma uma espiga, Manuel Bernardo viu, com os próprios olhos, o milho crescer, as uvas madurarem, os figos sazonarem, as batatas crescerem, os animais domésticos medrarem. O Manuel não confunde um sobreiro com um carvalho, um pinheiro com um eucalipto, uma semente com um tubérculo. O Manuel distingue o centeio do trigo, e vê a diferença entre uma couve e um repolho, entre uma alface e um agrião. O Manuel sabe, desde criança, o que é a vida rural, mas também sabe o que a vida numa vila ou numa cidade. Sabe o que é estudar na escola primária de uma aldeia longínqua do norte de Portugal, ou no liceu de um concelho do interior duriense; mas também sabe o que é estudar nos bancos de uma grande universidade do norte do País.

O Manuel Bernardo, desde tenra idade profundo conhecedor da vida e dos seus enredos, nunca os temeu, mas soube, com privações, vencê-los e fazer-se por si próprio. Foi sempre um aluno brilhante na escola e no liceu, e concluiu, sem cunhas ou falcatruas, uma licenciatura universitária. Não foi, como muitos, desertor e soube servir o seu País na hora de, com sacrifício pessoal e familiar, ir à guerra colonial. Lealmente competitivo nas actividades profissionais que exerceu, desempenhou cargos de responsabilidade no sector público e no sector privado. Sempre teve os seus impostos em dia, e sempre contribuiu solidariamente para sustentar, com o dinheiro que descontava, os que então viviam já dos rendimentos de reforma. O Manuel, com os impostos que pagou, foi e quis ser sempre solidário para com os cidadãos do País onde nasceu. Cumpriu com dignidade os deveres de pessoa responsável.

O Manuel Bernardo teve mundo enquanto estudou e trabalhou, e foi também capaz de planear, com as armas que pôde, a sua reforma futura. Fez os descontos que a lei obrigava, organizou os seus planos de poupança. Tal como soube vencer os obstáculos da vida activa, soube também, pensava ele, preparar-se para o resto da sua vida não activa. Queria justamente ter, na situação de aposentado, o mesmo nível de vida que foi tendo durante o tempo em que trabalhou.

Manuel Bernardo está profundamente indignado. Os seus rendimentos são hoje 20% menos do que eram no acto da obtenção da sua reforma. Nunca mais foi aumentado e passou a pagar mais impostos do que aqueles que pagava; a partir de 2007, recebeu nominalmente menos do que antes recebia, e, para 2008, vê a sua reforma, uma vez mais covardemente desvalorizada. Sente-se a empobrecer. Será isso socialmente justo? Só para crápulas como a dupla José Sousa / Fernando Santos é que isso parece ser justo. Os crápulas, diz Manuel Bernardo, foram e são sempre assim: arrogantes para com os fracos; poltrões para com os fortes.

terça-feira, janeiro 08, 2008


INCOMPETÊNCIA OU CUMPLICIDADE?


Já muita coisa foi dita e redita acerca do caso MILLENNIUM BCP. Trata-se dum caso que, não é demais repetir, ultrapassou os limites da decência. Nunca me passou pela cabeça que Jardim Gonçalves, depois de um trabalho notável ao nível da formação do seu Banco e, por via disso, da modernização do sistema bancário português, se deixasse cair na situação em que caiu. A sua história de sucesso, a sua ligação activa à Opus Dei, os princípios de carácter religioso por que se rege e de que, para público ver, ia sempre dando mostras às pessoas que o admiravam, dificilmente pressupunham que, por detrás de um homem de aparente integridade moral, morasse, afinal, a personalidade de uma criatura eticamente reprovável, de ambição sem limites e capaz mesmo de todos os desmandos, desde que isso significasse a sua perpetuação no poder e o reforço permanente da sua conta bancária, da dos seus familiares e de todos os que em conivência prosperavam à sua volta.

Agora se percebe melhor por que razão Paulo Teixeira Pinto se incompatibilizou com tão pressaga figura e se demitiu das funções de Presidente do Conselho de Administração do MILLENNIUM BCP. Qualquer pessoa de boa formação tinha que resistir às ilicitudes que, pelos vistos, se praticavam à tripa-forra naquele banco. Foi, depois de inglória luta, o que honestamente fez; não foi, sem surpresa, o caso de outros, designadamente dos Administradores e de todos aqueles que medraram e medravam sob o chapéu de Jardim Gonçalves. A Nomenclatura reinante estava habilidosamente criada e urgia mantê-la, nem que para isso fosse necessário afastar ou criar condições de auto-afastamento dos que a ela se opunham.

No rol das irregularidades e de ilícitos aparentemente criminais cometidos pela Administração de Jardim Gonçalves não se entende a passividade das autoridades que tutelam, regulam e fiscalizam o sistema bancário e o mercado financeiro de Portugal. O que estiveram a fazer, durante anos e anos, o Ministério Público, a Polícia Judiciária, a Inspecção-geral de Finanças, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e o Banco de Portugal? Habitualmente tão lestas no tratamento de casos de ilicitude residual, por que não foi nenhuma daquelas entidades capaz de investigar, julgar e punir procedimentos de legalidade duvidosa que, em surdina, já iam passando de boca em boca pelo menos desde 2001? Se não fosse a atitude de grande dignidade de Paulo Teixeira Pinto e o papel, uma vez mais fundamental, que os jornalistas portugueses tiveram na denúncia das irregularidades deste processo, é muito provável que as castas de poder criadas por Jardim Gonçalves ainda hoje estivessem a governar o MILLENNIUM BCP e a tratar desta instituição bancária como coisa sua, ignorando, com desprezo, os legítimos direitos dos pequenos accionistas e depositantes do Banco.

Para além de Jardim Gonçalves, que já saiu, e dos Administradores do ainda Conselho de Administração, que vão sair, não se entende por que não foram ainda demitidos Fernando Teixeira dos Santos, Vítor Constâncio e Carlos Tavares. Se a embrulhada do BCP deu no que deu, estas três entidades não podem assobiar para o lado como se nada tivessem a ver com o caso. É que se não foram cúmplices (e admite-se que não sejam), foram, no mínimo, incompetentes no exercício das suas funções de reguladores e fiscalizadores da banca e do mercado de valores mobiliários. Fernando Teixeira dos Santos foi Presidente da CMVM, Carlos Tavares é-o neste momento, e o inefável Vítor Constâncio desempenha, de há muitos anos, a função de Governador do Banco de Portugal. Dadas as especiais responsabilidades que, por inacção, incompetência ou cumplicidade, indirectamente tiveram para o desprestígio do MILLENNIUM BCP, há muito que deveriam ter deixado de exercer os cargos que exercem. Já deixaram de ter credibilidade. Num País decente isso já teria acontecido. Como não estamos num País decente, essas preclaras figuras ainda vão acabar por ser publicamente louvadas por Sua Excelência o compadre José Sócrates…!!!

segunda-feira, dezembro 31, 2007

UM HINO À LIBERDADE


Se tivesse que distinguir alguma Entidade do Ano que está prestes a terminar, essa Entidade seria, sem favor, a Comunicação Social Portuguesa. Quando num País a Justiça não funciona, a Educação é fraca, a Saúde é um bem raro e inacessível, os políticos são covardes e algumas castas do mundo financeiro engolem tudo, vale-nos a Comunicação Social para tudo desmontar e dizer que a sociedade não vai bem.

Sem os jornalistas dificilmente saberíamos que há empresários gananciosos, gestores corruptos, partidos políticos vendidos ao capital, juízes injustos, polícias sanguinários, magistrados comprados, Chefes de Governo mentirosos, seiscentos mil portugueses desempregados, dois milhões de cidadãos na miséria ou no limiar da pobreza, pedófilos escondidos, prisões desumanizadas, terrorismo organizado, tráfico de influências, sociedade de futuro duvidoso. Sem os jornalistas dificilmente tomaríamos conhecimento dos escândalos que abalam a sociedade. Sem uma comunicação social livre dificilmente teriam vindo a lume os casos FreePort, Portucale, Casa Pia, Millennium BCP, Universidade Moderna, Universidade Independente, licenciatuta de José Sócrates, viagens sumptuosas dos membros do Governo, viagens fantasmas de deputados, pensões indecentes do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Depósitos, pensões vitalícias de políticos sanguessugas, cruzamentos e atribuição de lugares entre amigos no seio de empresas de capitais públicos(REFER/CP) e o episódio Margarida Moreira/Fernando Charrua.

Pelas razões apontadas atrevo-me, pois, a considerar a Comunicação Social Portuguesa como a entidade que mais mereceria as honras de Entidade do Ano. Um País que não tenha uma imprensa livre, uma rádio isenta ou uma televisão independente não pode ser considerado um País livre. Portugal, neste domínio, é felizmente um País livre e independente. Poderá não sê-lo noutras áreas, mas é-o claramente na área da Comunicação Social. Não é, além disso, possível vivermos em verdadeira democracia sem os jornais, a rádio, a televisão, os analistas, os comentadores, os “bloggers”, os humoristas e todos aqueles que, sem medo de represálias, manifestam publicamente a sua opinião.

Eu sei que o actual Primeiro-ministro não gosta de ser contrariado por opiniões diferentes da sua, que detesta ser publicamente contestado e que, se pudesse, os aniquilava a todos por mor de um poder pessoal que desejaria inquestionável. Mas vai ter que se habituar à ideia de que os seus erros vão continuar a ser objecto de apreciação pública, de que suas mentiras continuarão a ser badaladas, de que os truques utilizados para a obtenção de fins inconfessáveis continuarão sempre a ser também objecto da apreciação crítica dos portugueses, graças à abençoada Comunicação Social Portuguesa.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

PORTUGAL, UMA REPÚBLICA NACIONAL-SOCIALISTA?


Com o advento de Sócrates ao lugar de Primeiro-ministro passou Portugal a ser uma espécie de República Nacional-Socialista? De acordo com a Porto Editora o nacional-socialismo foi “um movimento ideológico e político chefiado por Adolfo Hitler que assentava fundamentalmente na supremacia do Estado sobre o indivíduo e na exaltação da superioridade da raça ariana em relação a todas as outras…”; foi, pois, “um regime totalitário” que se implantou na Alemanha entre 1933 e 1945, que teve como chefe absoluto Adolfo Hitler e como instrumento de aplicação na sociedade o Partido Nacional-Socialista.

Não se pode dizer, em abono da verdade, que o nosso País esteja a ser uma República Nacional-Socialista nos termos em que, acima, foi o nacional-socialismo definido, nem que Sócrates seja, ou venha a ser, um novo Adolfo Hitler. Nem Portugal é a Alemanha, nem o nosso Primeiro-ministro tem, para o bem e para o mal, a envergadura intelectual daquele ditador, nem os tempos de hoje são comparáveis aos tempos em que foi democraticamente possível desenvolver aquele regime, de tão má memória para a Alemanha e para o mundo. Mas lá que há tiques, sinais e comportamentos parecidos com tão hediondo regime, lá isso há. É só olhar à volta e vê-los a eito pelo País fora.

Desde que subiu ao poder Sócrates amordaçou o Partido Socialista, calou a opinião divergente de altos dirigentes e militantes, tornou amorfos os membros do governo e os deputados socialistas, estabeleceu uma poderosa rede nacional de delatores (a DREN e a senhora que a dirige é um dos expoentes máximos desta rede), criou poderes subalternos de obediência acrítica, perseguiu quem ousou fazer-lhe frente, ostracizou quem dele discordava, amansou com benesses e cargos públicos de relevo os que, pelo seu prestígio, poderiam criar-lhe algum tipo de dificuldade. Tudo isto ele fez no interior do Partido Socialista.

Mas na sociedade Sócrates foi muito mais longe: lenta e paulatinamente conseguiu dominar toda a máquina administrativa e empresarial do estado. Hoje já só há dirigentes socialistas em tudo o que cheira a poder, por menor que o mesmo seja. Há-os, aos montes, espalhados pelas instituições administrativas de saúde, pelos hospitais, pelos centros de saúde, pelos serviços centrais e regionais do Ministério da Educação, pelos Centros Regionais e Distritais de Segurança Social, pelas Empresas Reguladoras do Estado, pelos Institutos Públicos e pelas Empresas de capitais total ou parcialmente públicos.

Para cúmulo dos cúmulos, Sócrates não se quis ficar por aqui. Na voragem de um poder que pretende ver cada vez mais alargado sobre a sociedade portuguesa, está prestes a dar um outro salto. Depois de, por prosélitos da sua confiança, dominar a Caixa Geral de Depósitos e o Banco de Portugal, quer agora dominar também o maior banco privado português. Servindo-se da debilidade estrutural que tem vindo a abalar o MILENNIUM BCP Sócrates apressa-se a dominar também este poderoso grupo financeiro. Santos Ferreira, Armando Vara e Victor Fernandes serão os apóstolos da sua cruzada, os accionistas de referência os seus mensageiros coniventes…

Que ninguém duvide. Na sociedade portuguesa há, de 2005 até agora, um movimento pragmático e político chefiado por José Sócrates Pinto de Sousa que assenta fundamentalmente na supremacia do Estado Socialista sobre todo o indivíduo não socialista e na exaltação da seita socialista em relação a todas as outras que o não são; tal como na Alemanha dos meados do século XX, criou-se, desde 2005, também por via democrática, um regime totalitário que tem tido como chefe absoluto o licenciado José Sócrates Pinto de Sousa e como instrumento de aplicação na sociedade portuguesa o seu “PARTIDO Nacional SOCIALISTA”.

Como cidadão livre, independente e adepto do contraditoriamente diferente chateia-me este esquisito nacional-socialismo dos portugueses. Como sair desta modorra?

sábado, dezembro 22, 2007

UMA DERROTA INJUSTA

Estou a escrever, ainda a quente, depois de uma derrota inesperada do Futebol Clube do Porto no Funchal contra o Nacional da Madeira. Foi inesperada e injusta. Inesperada porque não seria pensável que os "azuis e brancos", atento o historial recente de resultados de uma e outra equipa, perdessem este jogo; injusta porque, em jogo jogado e em oportunidades de golo não convertidas, o FCP foi a equipa que mais mereceu a vitória. Mas um jogo é assim: nem sempre ganha o mais forte, nem sempre vence a equipa que mais ocasiões de golo cria. A imprevisibilade do resultado final de um jogo de futebol é uma das magias deste espectáculo que tanto encanta e arrasta multidões.

Depois de, finalmente, ter sabido ser corajoso no Estádio da Luz, desta vez só tenho dois reparos a fazer ao treinador Jesualdo Ferreira: Não se entende a razão de tanto insistir num jogador que, tendo já tido mais do que uma oportunidade para mostrar o que vale, nunca deu uma para a caixa, foi sempre uma completa desilusão. Se dúvidas ainda houvesse elas ficaram hoje definitivamente desvanecidas. Mariano González é um jogador banal que pode e deve ser colocado no mercado de transferências do próximo mês de Janeiro. No mínimo ponham-no a rodar numa outra qualquer equipa que lhe pague o ordenado que ainda não conseguiu justificar no clube, e que não tenha as responsabilidades do FCP. Impressiona-me como é que este atleta conseguiu chegar a internacional da poderosa selecção da Argentina. Há fenómenos que não consigo entender.

Mas se Jesualdo Ferreira falhou ao escalonar Mariano González para o jogo com o Nacional da Madeira, falhou também ao não proceder à sua substituição quando, já a perder por 1-0, quis, e bem, mudar o rumo dos acontecimentos. Tê-lo mantido em jogo significou, quase sempre, dar um trunfo ao adversário, foi como se FCP estivesse em campo com menos um jogador, tamanha era a sua inutilidade prática. Por que não saiu ele e saiu o Hélder Postiga? Não tendo jogado de início por que não entrou, no acto da primeira substituição, o Adriano?

Agora que a primeira parte do campeonato está prestes a terminar permita-me Senhor Professor que lhe faça as seguintes três recomendações: Não proponha nenhuma nova aquisição de jogadores na abertura do mercado de Janeiro; estimule superiormente a dispensa, ou a rodagem noutras equipas, de uma boa parte dos atletas recrutados para a presente temporada, de que destaco especialmente os seguintes: Kazmierczak, Mariano González, Leandro Lima, Edgar, Farias e Lino; promova, dentre outros, o regresso imediato do Ibson, do Alan e do Hélder Barbosa; aposte mais nos atletas que provêm das escolas do Futebol Clube do Porto. Se fizer isto vai ganhar folgadamente o campeonato da Primeira Liga, vai ter sérias possibilidades de passar à fase seguinte da Liga dos Campeões, vencendo o Schalke 04, e dará um contributo muito importante para o saneamento das finanças do Clube. Vá por mim, Senhor Professor.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

O PINÓQUIO-MOR DA REPÚBLICA

Nunca gostei das pessoas que mentem. Muito menos daquelas que, para atingirem um fim ou obterem proveito pessoal, prometem uma coisa e fazem outra totalmente diferente. É certo que de mentirosos sempre esteve o mundo cheio; mas irritam-me quando os vejo a perorar desalmadamente. Se, no nosso País, há grupos que se caracterizam pela mentira desbragada esse grupo é o grupo dos políticos. Não são, em geral, intrinsecamente sérios, mentem a torto e a direito, acantonam-se por ilhas de intriga, fazem batota para alcançarem o poder, são, por isso, uns empafos inúteis. Que me desculpem os que, apesar de tudo, são honestos e tem feito da política um acto de desinteressada dedicação ao seu País.

Mas se há uma figura da política portuguesa que especialmente se caracteriza pelas mentiras que sistematicamente dirige ou dirigiu ao País, essa figura é o nosso inefável José Sócrates Pinto de Sousa. Sem nunca ter feito nada de socialmente relevante ao longo da vida, nunca olhou a meios para atingir os fins. Antes e depois de ser Secretário-geral do Partido Socialista; antes e depois de ser o Primeiro-ministro de Portugal.

Ora vejam o que aquele senhor disse para ser Primeiro-Ministro e o que fez depois de o ser. Prometeu não aumentar os impostos e a primeira coisa que fez logo que tomou posse foi aumentá-los despudoradamente (IVA, IRS, IRC, ISP, IA, tabaco, selo, álcool, bebidas alcoólicas…); garantiu um crescimento da economia em mais de 3% e o resultado obtido foi o de um pífio 1,5%, muito inferior à média dos países da UE; assegurou, vezes sem conta, que o poder de compra iria folgadamente crescer durante o tempo em que fosse Primeiro Ministro mas o resultado concreto que obteve foi o de uma clara diminuição do poder de compra dos portugueses, hoje calculada em mais de 10% (que o digam os cidadãos da classe média, designadamente os aposentados da função pública que, por exemplo este ano ganham nominalmente menos do que em 2006. Será isto constitucional?); prometeu equilibrar a balança de transacções correntes mas o resultado foi o de que continuamos a importar mais do que aquilo que exportamos; prometeu aumentar o investimento público reprodutivo mas o resultado tem sido precisamente o contrário, isto é, menos 18% do que era 2005; afirmou que o serviço nacional de saúde seria garantido para todos com mais qualidade, mais acessível e menos dispendioso, qualquer que fosse o local e capacidade económica dos portugueses, mas o resultado é hoje claramente negativo, com a prestação de cuidados de saúde muito mais cara e inacessível, e os medicamentos menos comparticipados; teve como certo que a educação e a justiça teriam condições de afirmação positiva como nunca tiveram em Portugal, mas os resultados que se vêem permitem uma leitura substancialmente diferente, com menos qualidade na educação e os serviços de justiça mais lentos e ineficazes.

Muito mais poderia ser dito acerca das promessas de uma vida melhor que o então bacharel de engenharia garantiu aos portugueses para o caso de vir a ser eleito Primeiro-ministro de Portugal. Tudo o que manhosamente prometeu para ser o candidato vencedor das legislativas de 2005 não cumpriu, tendo praticamente falhado em tudo. Salvou-se, neste contexto, o famigerado equilíbrio das contas correntes; mas mesmo aqui à custa do empobrecimento de todos nós. Os portugueses estão, passados dois anos de governo socialista, inequivocamente mais pobres; que o digam todos, mas especialmente os 600000 desempregados e os 2 milhões de portugueses pobres.

Com excepção de uma certa casta de glutões sociais que tudo comem, os portugueses andam tristes, acabrunhados, melancólicos e preocupados com o seu futuro. Há como que um sentimento de descrença geral que todos vêem e sentem, excepto o Primeiro-ministro Sócrates. Já não há esperança em Portugal. Com este Chefe de Governo os portugueses sentem que continuam desesperadamente no caminho de um precipício colectivo, para pouco servindo os biliões de euros que ainda vão chegando da União Europeia. Que fazer perante um panorama destes? DEMITI-LO por um vigoroso processo de indignação colectiva. De que estão à espera os funcionários públicos, os magistrados, os juízes, os professores, os médicos, os enfermeiros, os aposentados, os 600 000 desempregados e os 2 milhões de pobres? De que estão à espera os Sindicatos? Este estado de coisas não pode mais manter-se em Portugal. Estamos todos fartos de um Primeiro-ministro embófia e do seu séquito de “bufos”e acéfalos. BASTA.

sexta-feira, novembro 30, 2007


TRÊS HOMENS DE VISÃO

É frequente dizer-se que no nosso País não há uma visão estratégica de futuro. Isso é globalmente verdade e tem sido norma no decurso da sua longa história de oito séculos de independência política. Portugal foi sempre, com raras excepções, um País subalterno no concerto das nações mais desenvolvidas. Não era propriamente a pequenez geográfica que lhe atribuía esse estatuto, mas era a gritante incapacidade das gentes que o habitavam. Foi assim no período da fundação, tem sido sempre assim no decurso da sua existência de oitocentos anos de autonomia política, é claramente assim em 2007, mas hoje com a agravante de se estar a correr o risco de perda da sua identidade secular.

Em Portugal não há elites mobilizadoras, os políticos não prestam, José S. Pinto de Sousa é um primeiro-ministro mesquinho e sem dimensão, as “castas lusitanas”, desprezando o interesse geral, só se preocupam com aquilo que lhes dá poder ou reforça a fortuna de que são já são possuidores. As classes dominantes não servem o País, servem-se descaradamente dele para seu próprio proveito. Foi quase sempre assim, é assim nos tempos de hoje. É esta a nossa sina, tem sido este o nosso fado.

Apesar de tudo há casos isolados de sucesso; pontuais, mas de indesmentível sucesso. A história conhece os seus autores e foram eles que, de algum modo, foram dando visibilidade a um País de irrelevante interesse internacional. Sem me querer deliberadamente referir aos casos e pessoas que, pelos seus feitos, foram, em todas épocas, ficando na história de Portugal, senti-me no dever patriótico de salientar três homens de sucesso recente. Jorge Jardim Gonçalves, Luís Todo Bom e José Manuel Castro Rocha foram, de facto, três homens de sucesso. Se, de uma forma geral, no nosso País não há homens de VISÃO, estes tiveram-na e deixaram, por isso, obra duradoira no domínio da banca, das telecomunicações e das actividades energéticas.

Não é possível falar-se do Grupo Millenium BCP e do que ele representa para o progresso da banca portuguesa sem se falar do Engenheiro Jardim Gonçalves; não é possível falar-se do Grupo PT e do que as telecomunicações significam para o nosso País sem se referir o nome do Engenheiro Luís Todo Bom; não é, enfim, possível falar-se do Grupo EDP e do peso estratégico que o mesmo simboliza para os portugueses sem se recordar o Dr. José Manuel Castro Rocha.

No âmbito das funções profissionais que desempenhei tive o privilégio de me relacionar com estes três homens. Pela alta capacidade de VISÃO estratégica que demonstraram no contexto das funções por que foram, numa época muito difícil, responsáveis, Jardim Gonçalves, Luís Todo Bom e Castro Rocha representam um caso raro de sucesso empresarial. A obra que fundaram e legaram aos portugueses é a sua demonstração de glória.

Se a banca portuguesa está hoje ao nível do que há de moderno e mais bem organizado no âmbito do sistema bancário europeu e mundial isso é, em grande medida, devido ao fundador do BCP e do Grupo Millenium BCP; se o Grupo Portugal Telecom é hoje a “maior entidade empresarial privada portuguesa, um operador global de telecomunicações, líder a nível nacional em todos os sectores em que actua”, e uma referência positiva de Portugal no mundo, isso deve-se à VISÃO e elevada capacidade de gestão que o Engenheiro Todo Bom demonstrou ter durante o período em que foi o seu Presidente executivo, nos anos de 1994 a 1996; se o Grupo EDP é hoje uma “empresa de energia integrada, líder em criação de valor nos mercados" onde estiver implantada e, igualmente, uma instituição de referência ao nível nacional e internacional, há também aqui uma quota parte muito grande de contribuição do Dr. Castro Rocha, um dos seus mais prestigiados Presidentes.

Como seria diferente Portugal se os políticos que o têm vindo a governar tivessem a capacidade demonstrada por aqueles três HOMENS DE VISÃO!!! Infelizmente não têm; é por isso e por causa da sua mediocridade que o nosso país nunca mais passa da cepa torta em que fatalmente se encontra.

quarta-feira, novembro 28, 2007

UM TREINADOR COM MEDO


O Futebol Clube do Porto foi, esta noite, copiosamente batido pelo Liverpool por quatro bolas a uma. Um desastre. Senti-me profundamente envergonhado pelos números expressivos da derrota e pela forma como a mesma se deu. É uma derrota esmagadora que não condiz com o historial da mais prestigiada equipa portuguesa de futebol. O que aconteceu hoje em Anfield Road foi obsceno, foi uma catástrofe absolutamente inadmissível, foi mau de mais, foi uma vergonha que desprestigiou o clube, a cidade e o país.

Quando, no início do jogo, foi conhecida a constituição da equipa uma conclusão imediatamente saltava à vista de todos: o treinador do Futebol Clube do Porto estava apavorado e, por isso, ia jogar à defesa. De uma assentada procedeu à alteração de quase meia equipa, retirando quatro jogadores habituados a jogar juntos e substituindo-os por outros de carácter globalmente mais defensivo. O resultado estava claramente preanunciado: DERROTA clara, sem apelo nem agravo. Era, de resto, o renascer de um filme já conhecido noutras ocasiões, em circunstâncias muito parecidas. Foi assim com o Chelsea há um ano; foi assim no início desta época com a final da Super Taça Cândido de Oliveira. Em ambos os casos Jesualdo teve medo; em ambos os casos o Futebol Clube do Porto perdeu.

No desporto, como em todas as actividades da vida, quem tem medo raramente ganha, quase sempre perde. Foi o que aconteceu em Anfield Road. Nunca pensei que, aos sessenta anos, um homem com a experiência de vida de Jesualdo Ferreira ainda tivesse medo. Medo de quê? De perder um jogo de futebol? Como já lhe disse um dia, quando também perdeu a final da referida Taça Cândido de Oliveira, se não for capaz de se libertar dos medos de que se atormenta quando tem de enfrentar uma grande equipa europeia de futebol ou uma equipa portuguesa de capacidade semelhante, não pode continuar a ser o treinador do Futebol Clube do Porto.

O que vai fazer agora na jogo do próximo Sábado com o Benfica? Vai jogar à defesa? Ou vai jogar de peito feito, sem medo, com os jogadores que habitualmente ganham? Dificilmente terá condições serenas de trabalho se voltar a perder no Sábado nas circunstâncias em que perdeu esta noite em Anfield Road. Por que é que mudou meia equipa para este jogo? Por que é que, atarantado, sistematicamente mexe na equipa para os jogos de alto risco? Ainda não aprendeu a lição? Lembre-se dum grande ditado popular, Senhor Professor Jesualdo Ferreira: numa equipa que ganha não se mexe. Meta isto na sua cabeça e redima-se para ainda ter condições de continuar a ser o Treinador do Futebol Clube do Porto. Ainda não perdeu substancialmente nada; mas pode perder objectivamente tudo.